Advertisement

PF aponta pagamentos de R$ 15,4 milhões a presidente do TCE-MT fora da folha convencional

PF aponta pagamentos de R$ 15,4 milhões a presidente do TCE-MT fora da folha convencional

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, recebeu R$ 15.442.211,65 em 101 lançamentos bancários realizados pela Corte em menos de dez meses de 2025, segundo investigação da Polícia Federal. No mesmo período, o Portal da Transparência divulgou apenas R$ 288,5 mil em remunerações atribuídas ao conselheiro.

A discrepância consta da decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decretou a prisão preventiva de Sérgio Ricardo nesta quinta-feira (29). A medida foi autorizada no âmbito da Operação Tomada de Contas, que investiga suspeitas de corrupção, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa no TCE-MT.

Pagamentos foram registrados em diferentes modalidades

De acordo com a investigação, os 101 lançamentos destinados a Sérgio Ricardo somaram R$ 15.442.211,65. A maior parte, R$ 10.785.553,29, foi transferida por ordens bancárias avulsas, enquanto R$ 4.351.698,34 apareceu em rubricas destinadas ao pagamento de fornecedores. Apenas R$ 304.960,02 estavam classificados como salário.

Os pagamentos não foram integralmente registrados na folha convencional de pessoal. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os recursos saíam diretamente das contas oficiais do TCE-MT para os beneficiários por meio de mecanismos administrativos normalmente empregados para quitar obrigações com empresas contratadas.

Disparidade também alcançou outros conselheiros

A análise da Polícia Federal também identificou diferença entre os créditos bancários e os registros públicos referentes a outros integrantes da Corte. Conforme a decisão, sete conselheiros receberam R$ 48.464.624,53 no período examinado, enquanto o Portal da Transparência somou R$ 2.225.631,66 em remunerações.

Para os investigadores, a discrepância levanta suspeitas sobre a existência de uma estrutura paralela de pagamentos. A apuração busca esclarecer se os valores foram pagos sem respaldo legal e como foram utilizados posteriormente.

Investigação apura saques e transferências para ocultar valores

O ministro Og Fernandes afirmou que, embora os recursos tenham saído de contas oficiais do Tribunal, as movimentações posteriores apresentaram indícios de ocultação. Entre os mecanismos analisados estão saques em dinheiro vivo e transferências distribuídas entre diferentes contas bancárias.

Na avaliação da Polícia Federal, Sérgio Ricardo ocuparia uma posição de comando na estrutura investigada e teria influência sobre setores responsáveis pela autorização de contratos, pela emissão de ordens bancárias e pela movimentação de recursos públicos. O ministro considerou que a permanência do conselheiro em liberdade poderia comprometer a investigação e permitir a continuidade das práticas suspeitas.

Operação Tomada de Contas cumpre prisões e buscas em três estados

Deflagrada nesta quinta-feira (29), a Operação Tomada de Contas investiga suspeitas de corrupção, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa no TCE-MT. A ofensiva envolve seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

As prisões foram autorizadas por Og Fernandes, do STJ. Os investigados não foram condenados, e as apurações continuam.

Fonte: EN Segurança.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *