No Dia do Médico, celebrado em 18 de outubro, a atuação dos profissionais que trabalham nos clubes de futebol ganha destaque pelo papel que exerce na prevenção, no tratamento de lesões e na preservação da carreira dos atletas.
Em Cuiabá e no Mixto, Caio Ramires, Alberto Mariano e Fábio Chauchar relatam como a rotina da medicina esportiva envolve integração com outros departamentos, acompanhamento científico e decisões difíceis, inclusive quando é necessário impedir um jogador de entrar em campo.
Nos clubes, o cuidado com os atletas envolve diferentes áreas
O futebol exige preparação física e desempenho, mas o trabalho realizado nos bastidores também é decisivo para a rotina dos jogadores. A medicina esportiva reúne prevenção, tratamento, conhecimento científico e decisões que podem influenciar diretamente a carreira de um atleta.
No Cuiabá, Caio Ramires acompanha os jogadores e atua em conjunto com o departamento médico, a fisioterapia, a preparação física e a comissão técnica. A relação pessoal com o futebol foi um dos fatores que o aproximaram da área, fortalecida pela experiência profissional dentro do clube.
Entre as situações que mais o marcaram está o acompanhamento da recuperação de um atleta das categorias de base após uma lesão de ligamento cruzado anterior e menisco. Além do tratamento clínico, Ramires acompanhou a determinação do jovem para voltar aos gramados e destacou a importância do suporte profissional durante a reabilitação.
Decisões médicas podem contrariar a vontade de competir
A pressão competitiva torna algumas escolhas especialmente difíceis. Caio Ramires afirma que vetar um atleta de uma partida está entre essas decisões, sobretudo quando o jogador quer participar do confronto. Nesses casos, a avaliação médica deve prevalecer sobre a vontade de entrar em campo.
O médico também chama atenção para os riscos da concussão, que pode ocorrer mesmo sem perda de consciência. Dor de cabeça, tontura e desorientação estão entre os sinais que exigem atenção, e uma suspeita deve levar à retirada do atleta para avaliação médica.
No Mixto, afastar o atleta exige diálogo e alternativas
No Mixto, Alberto Mariano atua como especialista em joelho e medicina do esporte. Sua trajetória também foi influenciada pelo pai, Luiz Alberto Mariano de Souza, e o trabalho no clube envolve desafios que vão além de identificar e tratar lesões.
Para o médico, uma das situações mais difíceis é orientar o paciente a se afastar de uma atividade esportiva importante por causa de uma lesão ou patologia. Como o esporte pode fazer parte da identidade, da rotina e da qualidade de vida, a recomendação exige sensibilidade e diálogo.
O compromisso, segundo Alberto, é com a saúde e o bem-estar do paciente. Quando possível, a equipe procura alternativas para que ele permaneça ativo, respeitando suas limitações e reduzindo os riscos.
Prevenção também orienta o trabalho na cardiologia esportiva
Na cardiologia esportiva, a prevenção ocupa lugar central. Fábio Chauchar, especialista em cardiologia formado pela Universidade de São Paulo (USP), combina a experiência médica com a vivência no futebol, já que foi jogador das categorias de base do Mixto.
Fábio afirma que seu interesse pela medicina esportiva nasceu de duas experiências: ter sido atleta e ter escolhido a cardiologia do esporte. Ele também defende que a musculação não deve ser vista como perigosa para pessoas com mais de 60 anos de forma automática. Com orientação adequada e exercícios individualizados, o treinamento de força pode ajudar na manutenção da massa muscular, da força e da autonomia.
No futebol, o cardiologista ressalta que parte do trabalho ocorre longe do público, com o uso de recursos e dados científicos em benefício dos atletas. Entre as decisões mais difíceis está recomendar a interrupção da atividade esportiva quando há risco à vida.
Fonte: Esportes e Notícias.
















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