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CNI adverte sobre os riscos da jornada reduzida para a economia de Mato Grosso

Setores estratégicos como o agronegócio e a logística estadual podem sofrer com o aumento dos custos operacionais, aponta a entidade.

A proposta de reduzir a carga horária de trabalho no Brasil entrou no radar de preocupação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em análise recente, a entidade alertou que estados com forte perfil produtor, como Mato Grosso, podem enfrentar desequilíbrios econômicos caso a medida avance sem considerar as particularidades regionais e o cenário de baixa produtividade nacional.

Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, o Brasil convive com desafios estruturais — como as altas taxas de juros e o “Custo Brasil” — que tornam arriscada qualquer alteração na jornada sem que haja um aumento real na eficiência do trabalho.

Impacto direto no agronegócio e indústria local

Mato Grosso é um motor da economia brasileira, sustentado por cadeias que operam em regimes de alta performance. Especialistas indicam que uma mudança na escala de trabalho atingiria diretamente:

  • A cadeia do agro: Colheita e beneficiamento de grãos.
  • Logística: O transporte rodoviário e ferroviário de cargas.
  • Setor de Proteína Animal: Frigoríficos e indústrias de alimentos que operam com turnos rígidos.

O temor é que a redução de 44 para 36 horas semanais resulte em um salto de até 20% no custo da hora trabalhada. Para empresas mato-grossenses, isso significaria gastos extras com novas contratações, horas suplementares e encargos tributários, o que poderia reduzir a competitividade do estado no mercado externo.

Produtividade estagnada e o “Custo Brasil”

A CNI reforça que o país não registra avanços significativos na produtividade há décadas. Entre 1981 e 2023, o crescimento foi tímido, e o setor industrial apresentou números ainda menos expressivos. De acordo com a entidade, antes de encurtar o tempo de serviço, o país precisa resolver entraves como:

  1. Carga tributária elevada e burocracia excessiva.
  2. Infraestrutura deficitária que encarece o escoamento.
  3. Juros altos (Selic em 15%), que limitam o investimento em tecnologia e automação.

Apoio popular x Resistência empresarial

Enquanto as entidades patronais pedem cautela, a opinião pública segue em direção oposta. Dados de março de 2026 do Datafolha revelam que 71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1 e à diminuição da jornada, motivados pela busca por melhor qualidade de vida.

No entanto, o consenso econômico ainda é inexistente. Enquanto 39% da população acredita que a mudança impulsionará o mercado, a outra parcela teme prejuízos ao crescimento do país. A CNI planeja levar ao Congresso propostas como a “Agenda Legislativa da Indústria” para garantir que qualquer debate sobre o tema seja acompanhado de reformas que melhorem o ambiente de negócios.

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