
O ano de 2024 (e o início de 2025) ficará marcado na história do Cuiabá Esporte Clube não apenas pelo desempenho dentro das quatro linhas, mas pela postura incendiária de seu principal dirigente, Cristiano Dresch. Conhecido por uma gestão administrativa austera, o presidente do Dourado viu sua imagem ser associada a uma série de declarações polêmicas que, para muitos críticos, expõem um desgaste profundo na relação entre a diretoria, o elenco e a arbitragem.
Do “Pacu-Peva” ao “Camarão”
Uma das metáforas que mais repercutiram nos bastidores do futebol mato-grossense foi o desabafo de Dresch sobre o nível técnico da equipe. Ao tentar blindar o treinador de críticas externas, o dirigente utilizou uma comparação gastronômica curiosa: afirmou que não poderia cobrar um prato de “camarão com alho e óleo” se o que ele tinha disponível para oferecer era um “Pacu-Peva” (um peixe popular da região, mas de menor valor comercial e gastronômico que as espécies nobres).
Embora a intenção fosse tirar o peso das costas da comissão técnica, a declaração soou como um desdém aos próprios atletas. No vestiário, o uso do termo “Pacu-Peva” foi interpretado como uma desvalorização pública do elenco, criando um clima de instabilidade que se refletiu nos resultados em campo.
Conflitos Verbais e Áudios Vazados
A crise de identidade do clube sob o comando de Dresch também foi alimentada por episódios de agressividade verbal. Termos pesados como “vagabundo” e “merda” teriam sido dirigidos a jogadores e ex-funcionários, muitas vezes em áudios que acabaram vazando para a imprensa ou sendo relatados por pessoas próximas ao cotidiano do CT da Guia.
Essa postura “sem filtro” não se limitou ao ambiente interno. Recentemente, o dirigente foi alvo de denúncias em súmulas de arbitragem por ameaças e intimidações aos juízes. Em um dos episódios mais graves relatados por árbitros, Dresch teria incentivado seguranças a confrontarem fisicamente a equipe de arbitragem após um empate amargo na Arena Pantanal.
O “Dourado” em Encruzilhada
A narrativa do “ano desastroso” mencionada por analistas esportivos aponta para uma falha na gestão de pessoas. Enquanto o Cuiabá se consolidava como uma força emergente no cenário nacional pela sua saúde financeira, a comunicação de seu presidente parece caminhar no sentido oposto, gerando ruídos que afastam investidores e desmotivam o grupo.
O desafio de Cristiano Dresch agora é entender se o seu estilo centralizador e confrontador ainda cabe em um futebol brasileiro cada vez mais profissionalizado. Entre as cobranças por “Fair Play Financeiro” contra gigantes como o Corinthians e as ofensas diretas aos seus subordinados, o presidente do Cuiabá caminha em uma linha tênue entre a defesa dos interesses do clube e a criação de crises desnecessárias que podem levar o time ao isolamento desportivo.
















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