Três mulheres, de 18, 23 e 24 anos, foram presas em flagrante na quinta-feira (22.10), em São José dos Quatro Marcos, investigadas por torturar uma mulher de 32 anos sob ordem de uma facção criminosa. A vítima foi agredida nas mãos com 20 golpes de ripa de madeira após um “julgamento” realizado por videochamada.
A ação foi coordenada pela Delegacia de São José dos Quatro Marcos, com apoio da Delegacia de Mirassol D’Oeste e de equipes da Polícia Militar. Durante a operação, um homem de 27 anos apontado como “disciplina” da facção morreu após apontar uma arma para policiais que foram até sua casa.
Vítima foi levada ao hospital após agressões nas mãos
As forças de segurança receberam a informação sobre o caso na madrugada de quinta-feira, depois que a mulher deu entrada no Hospital Municipal com lesões principalmente nas mãos. Segundo a investigação, a agressão ocorreu em um chamado “salve”, prática usada por facções criminosas para punir pessoas que descumprem suas regras.
Os policiais civis identificaram o imóvel onde a vítima teria sido atacada, no bairro Jardim Popular. Depois de ser localizada, ela foi levada à delegacia e relatou ter acreditado que seria morta. O exame de corpo de delito confirmou as lesões.
Agressão foi determinada durante videochamada com liderança
Na noite da quarta-feira (21.10), a vítima foi chamada à casa de uma das suspeitas para explicar boatos que estaria espalhando pela cidade. No imóvel, as três mulheres e o homem de 27 anos fizeram uma videochamada com uma liderança da facção.
Durante a chamada, a vítima foi interrogada e pressionada a dizer que as acusações eram falsas. Em seguida, a liderança determinou que ela recebesse 20 golpes de ripa de madeira nas mãos.
Uma das mulheres aplicou as agressões, enquanto outra filmou a sessão para que o líder acompanhasse o cumprimento da ordem. As demais pessoas vigiaram a vítima para impedir que ela deixasse o local.
Polícia prende suspeitas e apreende celulares
As três suspeitas foram presas na tarde de quinta-feira em locais diferentes: uma no supermercado onde trabalhava, outra em casa e a terceira no imóvel apontado como cenário das agressões. Os celulares delas foram apreendidos durante a ação.
De acordo com a Polícia Civil, as presas confirmaram nos interrogatórios como os fatos aconteceram. A operação teve participação da Delegacia de Mirassol D’Oeste e das equipes da Polícia Militar do GAP, da Força Tática e da Agência Local de Inteligência.
Homem apontado como “disciplina” morre após confronto
Enquanto as três mulheres eram presas, uma equipe da Polícia Militar foi até a casa do homem apontado como “disciplina” da facção. Segundo a polícia, ele desobedeceu à ordem de abordagem, entrou no imóvel e apontou uma arma de fogo contra os agentes, que revidaram.
O suspeito foi socorrido e levado ao Hospital Municipal, mas morreu. Um revólver foi apreendido ao lado dele. A morte será investigada em procedimento próprio, com perícias de local e de necropsia já requisitadas.
Justiça converte prisões em preventivas e autoriza acesso a celulares
As três mulheres foram autuadas por tortura, crime equiparado a hediondo e punido com reclusão de 2 a 8 anos. A Polícia Civil também havia pedido à Justiça a conversão das prisões em preventiva e a quebra do sigilo dos dados dos celulares apreendidos.
Na audiência de custódia, o flagrante foi homologado e as prisões foram convertidas em preventivas. A Justiça autorizou o acesso aos dados dos aparelhos e considerou a gravidade concreta do crime e o risco de intimidação da vítima. A decisão também levou em conta que duas das presas haviam recebido liberdade provisória recentemente em casos de tráfico de drogas.
As investigações continuam para identificar a liderança que ordenou a punição, localizar outros envolvidos e apurar a participação de cada pessoa na organização criminosa.
Fonte: EN Segurança.












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