O Corinthians terá até 3 de dezembro de 2026 para quitar aproximadamente R$ 20 milhões em dívidas com credores, conforme decisão da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão ligado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A determinação foi tomada na terça-feira (3), após pedido do Cuiabá, principal credor do acordo coletivo.
Se não comprovar o pagamento até o prazo estabelecido, o clube paulista poderá ter o atual transfer ban ampliado até 16 de julho de 2027. A CNRD também autorizou uma investigação sobre os atrasos recorrentes no cumprimento dos compromissos financeiros assumidos pelo Corinthians.
Dívida reúne parcelas vencidas e multa prevista no acordo
O valor de aproximadamente R$ 20 milhões é formado por cerca de R$ 16 milhões referentes a duas parcelas do acordo que não foram pagas, com vencimentos em julho e outubro de 2026. A cobrança inclui ainda aproximadamente R$ 4 milhões de multa de 25% aplicada sobre o débito.
A determinação da CNRD ocorreu após manifestação do Cuiabá, que pediu medidas mais rigorosas contra o Corinthians. O clube mato-grossense é o principal credor do acordo coletivo, homologado em abril de 2025 para organizar dívidas com clubes, jogadores, empresários e outros credores.
Plano prevê pagamentos trimestrais ao longo de seis anos
O plano coletivo prevê o pagamento de R$ 76 milhões, dividido em parcelas trimestrais ao longo de seis anos. Pelas regras, 80% de cada parcela são destinados ao credor principal e 20% ficam reservados aos honorários advocatícios.
Descumprimento pode prolongar transfer ban até julho de 2027
O Corinthians já está impedido de registrar novos jogadores por determinação da CBF, após deixar de pagar a quinta parcela do plano coletivo, estimada em R$ 8 milhões. A punição começou em julho de 2026.
Se não comprovar a quitação até 3 de dezembro, o clube poderá permanecer sem registrar reforços até 16 de julho de 2027. Segundo a decisão, isso acrescentaria aproximadamente seis meses ao período inicialmente previsto e levaria a sanção a um ano de duração.
Cuiabá pediu sanção de dois anos, mas CNRD adotou medida parcial
O Cuiabá havia solicitado o encerramento do acordo coletivo e uma punição de dois anos sem registrar novos atletas. A CNRD acolheu parcialmente o pedido, fixou um novo prazo para o pagamento e determinou o prolongamento do transfer ban caso o Corinthians não cumpra a obrigação.
Investigação vai apurar atrasos recorrentes nos compromissos financeiros
Além da possível ampliação da punição esportiva, a CNRD autorizou uma investigação da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF). O procedimento vai apurar os atrasos recorrentes do Corinthians no cumprimento dos compromissos financeiros assumidos.
O Cuiabá considera que os atrasos configuram reincidência no descumprimento do acordo. O clube também questiona a tentativa do Corinthians de flexibilizar as sanções depois de o clube paulista admitir que não conseguiria cumprir os pagamentos nas datas previstas.
Cobrança inclui negociação de Raniele e já motivou outros pedidos
Entre os compromissos abrangidos pela dívida está a negociação do volante Raniele, contratado pelo Corinthians junto ao Cuiabá em 2024. O presidente do clube mato-grossense, Cristiano Dresch, já havia manifestado publicamente insatisfação com os atrasos.
Em setembro, o Cuiabá pediu à CNRD a aplicação de multa e o bloqueio de receitas. A diretoria também tentou impedir o uso de eventuais premiações do Corinthians antes da regularização dos débitos, mas a solicitação foi negada porque não havia valores dessa natureza disponíveis.
Corinthians cita pagamentos de R$ 170 milhões e queda de receitas
Ao justificar as dificuldades financeiras, a diretoria do Corinthians informou à CNRD que desembolsou aproximadamente R$ 170 milhões para quitar dívidas ao longo de 2026. O clube também apontou redução das receitas durante a paralisação do calendário brasileiro em razão da Copa do Mundo.
Segundo a diretoria alvinegra, a queda afetou a arrecadação de bilheteria, patrocínios e mídia digital. Mesmo com a justificativa apresentada, o Cuiabá sustenta que os atrasos são recorrentes e não representam uma dificuldade isolada.
Fonte: Esportes e Notícias.















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