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UFMT levará à Procuradoria-Geral Federal falas de Abílio sobre drogas em universidades

UFMT levará à Procuradoria-Geral Federal falas de Abílio sobre drogas em universidades

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) informou nesta sexta-feira (16) que encaminhará à Procuradoria-Geral Federal (PGF) as declarações do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), que associaram estudantes e professores de universidades públicas ao consumo de drogas.

A decisão foi anunciada em nota assinada pela reitora Marluce Souza e Silva. A universidade afirmou estar preocupada com as falas e disse que buscará a análise do órgão federal e as providências cabíveis.

Universidade aponta estigmatização da comunidade acadêmica

No posicionamento, a UFMT destacou seu papel como espaço de diversidade política e ideológica, além da importância do pensamento crítico e da formação acadêmica. A instituição também afirmou que o combate às drogas deve ser tratado com responsabilidade e por meio de políticas públicas, sem preconceito ou generalizações contra estudantes e professores.

Ao anunciar o encaminhamento do caso à Procuradoria-Geral Federal, Marluce Souza e Silva ressaltou que a medida está entre suas atribuições na defesa da comunidade universitária. A universidade encerrou o comunicado reafirmando respeito às autoridades públicas e disposição para manter o diálogo institucional em defesa da educação pública e da sociedade mato-grossense.

Declarações ocorreram após manifestações no campus da UFMT

A polêmica começou depois de manifestações de eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dentro e nas proximidades do campus da UFMT, em Cuiabá. Ao comentar os atos, Abílio sugeriu, em tom de ironia, que estudantes e professores fossem a igrejas pedir votos para Lula usando camisetas de Che Guevara e carregando maconha e cocaína.

O prefeito também afirmou que integrantes da comunidade acadêmica poderiam acabar favorecendo a campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Em outra parte das declarações, acusou professores de pressionarem alunos a apoiar Lula e disse que estudantes de direita esconderiam suas posições em sala de aula por medo de perder pontos ou serem reprovados.

Abílio ainda mencionou uma suposta pressão de integrantes do Comando Vermelho sobre moradores do bairro Pedregal, nas proximidades da universidade, para que votassem em Lula. No resultado eleitoral citado na reportagem, porém, Flávio Bolsonaro venceu na região por 2.468 votos contra 1.877 do candidato petista.

Episódio amplia histórico de atritos entre prefeito e UFMT

O episódio se soma a um histórico de embates públicos entre Abílio e a UFMT. Em agosto de 2025, o prefeito havia provocado reação da comunidade acadêmica ao criticar a qualidade do ensino e o perfil dos estudantes da instituição.

Na ocasião, ele classificou o ensino oferecido pela universidade com um palavrão e questionou a ocupação de vagas públicas por alunos oriundos de escolas particulares. As declarações geraram manifestações de parlamentares, entidades acadêmicas e da própria reitoria, além de mobilizações em defesa da instituição.

Uma semana depois, Abílio publicou um vídeo pedindo desculpas pelo termo utilizado. Ele justificou que havia feito a declaração em um momento de indignação e raiva.

Fonte: EN Política.

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